Para ver a cidade: entre artes e imagens

Para ver a cidade: entre artes e imagens


When?

Start time: Wednesday 19:00 (21 February)
End time: Tuesday 21:30 (06 March)

Where?

Sem Título Arte
Rua João Carvalho, 66 - Aldeota, Fortaleza

About

Inscrições abertas: https://goo.gl/xZaAan

Mediadora: Glória Diógenes

O ato de ver a cidade tem quase sempre sido capturado por tudo aquilo que se mostra em planos de grande escala: altos edifícios, largas argamassas de cimento sustentando viadutos, outdoors e ecrãs eletrônicos empilhando a paisagem de convites ao consumo, postes, fios, asfalto, semáforos, dentre tantos outros. Ao contrário dessa inflação de signos feitos para informar, a cidade se constrói, se mostra, se esquiva, espreita, provoca, se desloca por práticas e intervenções tantas vezes invisíveis e efêmeras. Daí emergem outros possíveis de se fazer cidade, de se praticar cidade, de ser cidade.

O objetivo desse curso poderia ser resumido na seguinte frase – como seguir rastros de imagens da cidade? Um historiador italiano chamado Carlo Ginznburg diz que o primeiro pesquisador foi o caçador, porque era capaz de se agachar, cheirar folhas e estercos, qual seja, de farejar pistas. Nessa perspectiva, ao invés de considerar apenas o olhar como sendo o sentido a ser usado para Ver a Cidade, partiremos aqui do suposto, que se vê com o corpo, que Ver a Cidade é do domínio daquilo que Jacques Rancière considera como sendo uma “Partilha do Sensível”.

Vale também ressaltar que o ato de ver ultrapassa a percepção das simples evidências. O “nada”, o silêncio, ou como diz Didi-Huberman, o vazio” compõem o “dilema do visível”(1998, p. 61). Daí a importância da interseção arte/cidade, porque ao invés da crença contumaz - você vê o que olha - emerge daí outros possíveis:

O ato de ver não é o ato de dar evidências visíveis a pares de olhos que se apoderam unilateralmente do “dom visual” para se satisfazer unilateralmente com ele. Dar a ver é sempre inquietar o ver, em seu ato, em seu sujeito” (Didi-Huberman, 1998, p. 77).

O corpo inteiro operará nessa experiência coletiva como uma “máquina de ver”, trilhando aquilo que Deleuze denomina de “lógica das sensações”. Nesse esteio de deslocamentos, o corpo atuará na qualidade de operador simbólico, como uma espécie, tal qual alude José Gil (1997, p 22) de “permutador de códigos”, “transdutor de signos”. Cidade, arte e imagens “percorrem” o exterior e o interior dos corpos (GIL, 2002, p. 141) e ampliam-se até a paisagem e passagem das sensações. Perceberemos como de, alguma forma, tudo isso se mistura, como são múltiplos os pontos de conexão entre corpo e cidade.

É essa a trama do que aqui se poderia pensar acerca das artes e cidades contemporâneas, um tipo de fusão material-imaterial, visível-vazio-invisível, orgânico-tecnológico, corpo-pele enquanto lugares de abertura, de construção e deformação de imagens. Esse convite para um curso é uma espécie de chamada para um tipo de experiência de percepção que tomará letras, diálogos e as denominadas categorias teóricas como mote para um tipo de descoberta pessoal e intransferível. Uma sala de aula é um lugar pequeno. Transitaremos. Já que a teoria é menos que a cidade e a arte inventa o que ainda não vemos.

Dessa forma, o curso tentará utilizar os conceitos acadêmicos apenas como artefatos, modos possíveis de operar a cidade, de sentir a cidade. Pretende-se ultrapassar qualquer forma de uso de uma linguagem inacessível, pactuada apenas pelos que já atuam na área, podendo assim atingir um público diversificado e de interesses distintos. Assim podemos, também, nos multiplicar.

2. O que versa cada encontro?

Experiência 1: O Que é Cidade? O que é arte? O que é imagem? (visões impressionistas)
Cada participante tentará responder esse conjunto de questões de forma livre e espontânea. Vamos produzir imagens? A imagem de intervenções antes não vistas na cidade. No final do curso teremos uma “coleção” de imagens acerca “Do que anda a mostrar Fortaleza?”

Experiência 2: Imagens da Cidade - saberes misturados (Com base no texto de Nelson Brissac do livro Paisagens Urbanas)
Quais visões que povoam nossa cidade? “Qual o destino das Imagens, esses espectros descartáveis e sem significado?

Experiência 3: Quais as imagens “atuantes” de Fortaleza e por onde “escorre” sua imaginação? (Com base no texto de Andrea Brighenti)
Projeção de imagens e passagens do texto.

Experiência 4: Como pensam as imagens? (Com base no livro de Etienne Samain de título homônimo)
Partilha de “imagens pensantes”.

Experiência 5: O Destino das Imagens, ou como ler Jacques Rancière.
Há um destino das imagens? As imagens das múltiplas fortalezas.

Experiência 6: Diálogos com Didi-Huberman: O que vemos o que nos olha?
Assistir: https://www.youtube.com/watch?v=fuZFGCg178o
Conferência de Didi-Huberman em Coimbra.Convidados para um debate sobre o tema: Ethel de Paula e Leonardo Araújo

Experiência 7: “Ler o que nunca foi escrito”, dando uma olhada no Atlas de Didi-Huberman.
Apresentação do Atlas. O que nunca foi escrito?

Experiência 8: Mostração e imagem: visitando Gottifried Boehm.
Conversa com Eduardo Frota: Arte e cidade – o entulho, o anônimo, o ordinário (aula aberta).

Experiência 9: “Arte, Pixo e Política”.
Conversa com Ramon Salles e Vitor Grilo.

Experiência 10: Quem pinta, cola e carimba a cidade?
Conversa com Ceci Shiki, Naiana Gomes e Fernanda Meireles.

Partilha da produção dos participantes do curso na Sem Título Arte - O que anda a mostrar Fortaleza? (Aula Aberta)

21 de fevereiro a 24 de abril
Sempre às quartas-feiras, das 19 às 21h30min
Valor: 2 x de R$ 250,00



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